Agosto Branco abre espaço para falar sobre Câncer de Pulmão.

Agosto é o mês de conscientização sobre o Câncer de Pulmão e a Oncotrata está junto com a comunidade na importante missão de alertar sobre a doença e entregar informação de qualidade para todos.


Para contribuir com a campanha, convidamos o Oncologista Clínico, Dr. Leonardo Lago (CRM 30.073), para responder algumas perguntas sobre a doença.


Antes ainda, é importante explicar que o Câncer de Pulmão é hoje um dos tipos mais comuns no mundo, são mais de 2 milhões de novos casos ao ano, com predomínio maior em homens do que em mulheres. Possui uma alta taxa de mortalidade, que chega a 1 milhão e 700 mil pessoas/ano.


No Brasil, são estimados mais 30 mil novos casos ao ano. É por isso considerado o segundo câncer mais comum do país – ficando atrás apenas para o câncer de pele não melanoma. Só no Rio Grande do Sul cerca de 13% de todos os novos casos de câncer são de pulmão.

(Fonte: Inca)


1. Nos dados do INCA, o Rio Grande do Sul lidera o ranking das unidades federativas nos diagnósticos de câncer de pulmão. Qual seria o motivo de termos tantos casos concentrados aqui no Estado?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: Na verdade o aumento na incidência do câncer de pulmão, ou seja, o número de novos casos, não é exclusividade do Brasil, tão pouco do Rio Grande do Sul, mas sim um fenômeno mundial. Dentre as federações brasileiras nós (RS) estamos atrás de São Paulo. A explicação mais contundente é relacionada ao número expressivo de tabagistas e profissionais da indústria do tabaco que concentramos na região Sul.


2. Na sua opinião, como mudar este cenário? O que é possível ser feito?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: Mudança de cenário: cessação do tabagismo, sempre!! Conscientização em massa dos malefícios do cigarro, seja do consumo em maior ou menor intensidade, ou do consumo ativo e/ou passivo.


3. Também conforme o INCA, apenas 16% dos cânceres de pulmão são diagnosticados em estágios mais iniciais. Isso se deve à falta de informação?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: As informações sobre os riscos à saúde em decorrência do tabagismo são prioritárias. A desinformação sobre este assunto reflete a baixa porcentagem de casos iniciais (maior chance de cura). Sabemos que programas de rastreamento com tomografias de baixa-dose reduzem mortalidade entre 20-25%. Esta estratégia é foco de discussão mundial na atualidade.


4. Quando procurar um médico especialista?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: Sintomas comumente relacionados ao câncer de pulmão e que merecem avaliação de especialistas: tosse persistente, falta de ar, dores no peito, infecções respiratórias de repetição, rouquidão, escarro (catarro) com sangue, perda de peso inexplicável (involuntária).


5. Quais os tratamentos indicados ao combate do câncer de pulmão?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: A estratégia de tratamento será traçada dependendo do estágio da doença. Isto pode ser por cirurgia; quimioterapia (antes ou depois da cirurgia); terapia alvo-molecular após cirurgia (desde que o paciente tenha indicação para isto, chamada de medicina de precisão); químio-radioterapia seguido de imunoterapia; quimioterapia, imunoterapia (isolada ou em combinação), ou terapia alvo-molecular.


6. Quais são as chances de cura?

Dr. Leonardo Lago, Oncologista Clínico: Da mesma forma, a chance de cura dependerá do estágio de apresentação da doença. Define-se chance de cura como a sobrevida em 60 meses (ou 5 anos). Nos casos muito iniciais, isto pode chegar a 92%; já nos casos localmente avançados (mais agressivos, porém com intenção curativa) a 13% (Goldstraw P et al. J Thorac Oncol 2016; 11: 39-51). Sempre lembrando que cada caso merece uma avaliação individualizada por especialista para o correto planejamento terapêutico.